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  • Foto do escritorCarolina Martins Vieira

A importância de uma equipe multidisciplinar no câncer de cabeça e pescoço

Diagnóstico precoce leva a maiores chances de cura mas quanto mais avançado o câncer, maior a necessidade de uma abordagem em equipe


Nesta semana, daremos continuidade à conscientização relacionada ao câncer de cabeça e pescoço - Julho Verde -, com esclarecimento de mais dúvidas, em parceria com o Dr Gustavo Meyer. 


1- Este câncer tem cura? 

O câncer de cabeça e pescoço, em linhas gerais, apresenta taxas de cura muito maiores do que tumores de outras regiões do corpo. Entretanto, infelizmente o diagnóstico é feito tardiamente em muitos casos, sobretudo entre os pacientes com baixo nível sócio-econômico, o que faz com que, nesses casos, o número de pacientes curados seja inferior à metade dos que se curam quando a doença é diagnosticada precocemente.


2- Como é composta uma equipe multidisciplinar para tratar o câncer de cabeça e pescoço? 


Nenhum médico trata sozinho o câncer de cabeça e pescoço. Os pacientes com doença avançada frequentemente necessitam de procedimento cirúrgico de grande porte e de alta complexidade. Além disso, radioterapia e, em muitos casos, quimioterapia. Por isso, a equipe médica deve ser composta por, no mínimo, médico especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço, médico Oncologista Clínico e médico Radio Oncologista. Além dessas especialidades médicas, profissionais da saúde de outras áreas fazem parte do time que trata os nossos pacientes: Odontologia, Fonoaudiologia, Fisioterapia, Enfermagem, Nutrição, Psicologia. São necessários cuidados odontológicos, sobretudo nos pacientes que receberão radioterapia na região da boca. 


A fonoterapia é fundamental na abordagem pré e pós-operatória, visando reabilitação de voz, de fonoarticulação e de deglutição. Os pacientes hospitalizados necessitam de acompanhamento fisioterápico e de enfermagem e, em todos os passos do tratamento é imprescindível o suporte nutricional e psicológico. No âmbito do SUS, os maiores serviços médicos/oncológicos do estado já estão estruturados de modo a oferecer os cuidados da equipe multidisciplinar aos pacientes. Todavia, sobretudo nas menores cidades do interior, não é raro o tratamento fragmentado em diferentes serviços, sem continuidade nos cuidados, o que impacta diretamente no sucesso da terapia.


3- Nos últimos anos, quais são as inovações relacionadas ao tratamento cirúrgico? 


O tratamento cirúrgico do câncer de cabeça e pescoço mudou pouco nos últimos 30 anos. Foram incorporadas à rotina da especialidade novas técnicas de reconstrução cirúrgica que proporcionam melhor qualidade de vida aos pacientes que sofrem procedimentos de grande porte. Novas evidências na literatura médica demonstraram que a extensão do procedimento cirúrgico pode, em alguns casos, ser menor do que era o padrão há algumas décadas, com os mesmos resultados oncológicos. Além disso, mais recentemente, a introdução da cirurgia robótica tem dado a oportunidade de operar alguns pacientes, com tumores de orofaringe, oferecendo-se uma modalidade cirúrgica com menor morbidade, ou seja, com resultados similares mas causando-se menor dano aos tecidos sadios.


4- Comparado com outros tipos de câncer, como tem sido os avanços no tratamento medicamentoso desta doença? 


O tratamento medicamentoso do câncer de cabeça e pescoço sofreu menos modificações do que o observado em outros tipos de câncer. Algumas novidades que apareceram há alguns anos, como muito promissoras, acabaram se demonstrando não superiores a tratamentos já consagrados e de custo inferior. Especificamente para os pacientes que apresentam doença metastática em outros órgãos, sem benefício de intervenção cirúrgica, o tratamento com imunoterapia tem trazido alguns bons resultados de aumento na sobrevida e na qualidade de vida, embora seu o custo seja ainda elevado. 


Tem alguma dúvida ou gostaria de sugerir um tema? Escreva pra mim: carolinavieiraoncologista@gmail.com 


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