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  • Foto do escritorCarolina Martins Vieira

Março Borgonha: mais que uma campanha, um laço de apoio

Março marca a campanha cor de vinho, sobre a assistência a pacientes e familiares enfrentando o mieloma múltiplo. Entenda sobre a campanha e a rede de apoio


Dentre as neoplasias do sangue mais comuns em indivíduos mais velhos, destaca-se o mieloma múltiplo, doença inicialmente silenciosa mas que pode se manifestar com variados sintomas. Para esta coluna, Matheus Lavigne, estudante de medicina da UFMG, pesquisou a fundo o tema.


O Mieloma Múltiplo (MM) surge da mutação genética e proliferação intensa de plasmócitos, células originadas na medula óssea e circulantes no sangue, que produzem imunoglobulinas (anticorpos). Embora seja uma doença rara, é o segundo tumor hematológico mais comum, sobretudo em pessoas com mais de 50 anos de idade.


O MM faz parte de uma família de doenças produtoras de proteínas imunoglobulinas de um único tipo - e comumente não funcionais -, chamadas de gamopatias monoclonais. Compreender essa fabricação descontrolada de proteínas e células é a chave para entender os sintomas dessa neoplasia.


As manifestações clínicas do MM englobam desde sintomas inespecíficos a conjunto de sinais mais característicos, conhecidos pelo acrônimo inglês "CRAB", como:


- Emagrecimento acentuado e rápido, além de infecções recorrentes, devido ao consumo de nutrientes para multiplicação celular e produção de anticorpos ineficazes contra vírus e bactérias;


- Hipercalcemia (C): aumento do cálcio no sangue por danos nos rins causados pelo acúmulo de imunoglobulinas e por desgastes ósseos;


- Insuficiência renal (R): dificuldade na função de filtração e eliminação de substâncias pela urina;


- Anemia (A): percebida como fraqueza e palidez, devido a menor produção de glóbulos vermelhos (hemácias) na medula óssea e de eritropoietina (hormônio que estimula a produção de hemácias) nos rins;


- Lesões ósseas (B): predisposição de dores ósseas e fraturas, isso se deve à invasão de plasmocitomas (acúmulo de plasmócitos mutados) nos ossos.


Esse conjunto de sinais e sintomas apresentados por pacientes idosos deve despertar em clínicos, ortopedistas e nefrologistas a suspeita de MM. Assim, para confirmação diagnóstica e oferta do melhor tratamento para o paciente, geralmente são solicitados hemograma, exames de urina, exames de imagem como tomografia ou ressonância magnética de ossos, além de encaminhamento para a hematologia, especialidade de doenças do sangue.


O paciente acolhido pelo médico hematologista e sua equipe costuma realizar alguns exames complementares, como eletroforese de proteínas séricas e biópsia de medula óssea, além de juntos planejarem o tratamento e o acompanhamento, visando a remissão da doença.


Atualmente, o tratamento do MM dispõe de várias modalidades que podem ser usadas sozinhas ou combinadas como: quimioterapia, terapia-alvo e anticorpo monoclonal com medicamentos mais direcionados e menos efeitos colaterais contra células mutadas do plasmocitoma; imunoterapia, que permite que o próprio sistema imunológico combata as células do mieloma múltiplo; transplante de medula óssea autólogo, que possibilita coletar células tronco do paciente no início do tratamento e reinseri-las após eliminadas as células tumorais; suportivo contra fraturas ósseas, anemia e infecções).


Felizmente, o paciente e a família que estiverem enfrentando o MM podem contar com associações brasileiras, como a ABRALE e a ABRAMM. Além de apoio psicossocial, oferecem orientações em cartilhas e manuais sobre direitos e cuidados do paciente.


Por isso, é importante manter avaliação regular com seu médico e, caso possua mieloma múltiplo, não se sinta só. Procure uma equipe de hematologia e as associações preparadas para acolher, orientar e apoiar nessa luta. Compartilhe sobre a campanha Março Borgonha!


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