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  • Foto do escritorCarolina Martins Vieira

O câncer no esporte: uso de anabolizantes e atividades de alta performance

Estudo apontou presença maior de marcadores de risco de câncer em grupo de atletas que praticam doping, apontando para a maior chance de desenvolver a doença.


Lance Armstrong, ex-ciclista profissional americano ficou conhecido por ter vencido 7 vezes seguidas o Tour de France, em 1996, com 25 anos no auge de sua carreira, revelou estar com um câncer de testículo. Isso levantou o questionamento da relação da sua doença com sua profissão. Para debater a respeito, conversei com a acadêmica de medicina da UNIFENAS, Nathalia Oliveira, sobre a importância do tema.


Traumas, distribuição inadequada de peso, ajustes inadequados da bicicleta podem trazer problemas como infertilidade e dificuldades na circulação testicular. No entanto, apesar de muito falada sobre a associação do câncer de próstata e testículo nos ciclistas de alta performance, isso é pouco estudado, as evidências científicas são muito baixas e quando existentes apontam apenas para a relação com o câncer de próstata.

Descartando a associação direta do ciclismo com o câncer, ainda existem questões a respeito do caso de Armstrong que o tornam uma questão polêmica. Em um documentário de 2020, o atleta relata ter iniciado doping aos 21 anos. O uso de esteróides anabolizantes é apenas um tipo de doping, a prática envolve também outras substâncias ilícitas estimulantes como a codeína, substância base do Tylex. É possível que essa prática seja fator de risco para o câncer de Lance Armstrong?

A epidemiologia indica que sim. Cânceres hepáticos chamam mais atenção, revelando uma associação mais bem estruturada nos estudos científicos epidemiológicos, mas outras manifestações oncológicas não deixam de sugerir alguma relação.


Um estudo feito na Universidade Estadual de Feira de Santana por Leonardo da Cunha Menezes pesquisou micronúcleos, estrutura resultante de fragmentos cromossômicos que são comprovadamente efetivos marcadores do risco de câncer, em 3 grupos: Grupo 1- Atletas usuários de esteróides anabolizantes andrógenos; Grupo 2: Atletas não usuários e Grupo 3: Sedentários não usuários. O estudo concluiu uma presença significativamente maior no grupo 1, apontando para o maior risco de câncer nos atletas que praticam doping.


Não é possível concluir apenas com esse estudo ou com os dados da literatura atual se o caso de Armstrong e outros atletas que se tornaram pacientes oncológicos tem alguma relação direta com o uso de anabolizantes. Os estudos ainda são escassos mas não descartam a possibilidade e sugerem alguma evidência, mesmo que baixa.

Diante disso, ainda é melhor prevenir. É importante entender que a prática esportiva é comprovadamente uma das melhores formas de preservar a saúde e evitar doenças. Contribui para todos os sistemas do corpo, impacta diretamente na estética e autoestima, reduz risco de depressão e índices de ansiedade crônica e as contraindicações são raras.

No entanto, todas as questões de saúde devem ter cautela. O exercício físico deve ser orientado por profissionais da saúde e sempre questionando soluções imediatas e radicalismos. Além do câncer, práticas como do doping são causadoras de distúrbios circulatórios, cardíacos, psiquiátricos e mais uma lista de interferências negativas. O uso de substâncias estimulantes sem recomendação médica é perigoso e a venda é proibida por lei.

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