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  • Foto do escritorCarolina Martins Vieira

Pode realizar procedimentos no braço em que ocorreu retirada de linfonodos?

Venha saber um pouco mais sobre um tema que é uma dúvida de muitos profissionais de saúde e pacientes

Pacientes com câncer de mama, independente do estadiamento da doença, podem ter como indicação o esvaziamento axilar, ou seja, a retirada dos linfonodos axilares ou do linfonodo sentinela. Após tal procedimento, é comum ouvir de profissionais da saúde que no braço em que ocorreu o esvaziamento axilar não se deve puncionar e/ou mensurar a pressão arterial, pois há risco de linfedema e/ou infecção local. Será que essa recomendação procede? Para sanar as dúvidas a respeito, a estudante de Medicina da PUC Minas Clara Sobreira se aprofundou no tema.

O sistema linfático é a via acessória da circulação do nosso organismo. Por meio dele, o líquido pode fluir do espaço intersticial - espaço entre as células - para o sangue. Os linfonodos, por sua vez, são órgãos que compõem esse sistema e tem como função filtrar a linfa, formada por líquido intersticial, com o objetivo de remover partículas estranhas e, dessa forma, evitar que elas entrem no sistema circulatório. Eles estão distribuídos por todo nosso corpo, como por exemplo, nas axilas e na virilha.


Segundo algumas diretrizes internacionais, é necessário que se evite realizar esses procedimentos no braço em que se realizou a retirada dos linfonodos, ou seja, no braço ipsilateral. No entanto, o artigo "Impact of Ipsilateral Blood Draws, Injections, Blood Pressure Measurements, and Air Travel on the Risk of Lymphedema for Patients Treated for Breast Cancer", publicado em 2015, alega que tais diretrizes apresentam poucas comprovações científicas para tal recomendação. Dessa forma, em muitos casos, provocam certa ansiedade nos profissionais de saúde que não conseguem seguir essas normas devido a outros fatores diversos. Segundo tal estudo, coleta de sangue, injeções, mensuração de pressão arterial no braço ipsilateral da retirada de linfonodos não está associada a linfedemas desse membro.


A Sociedade de Anestesia Ambulatorial corrobora com esse estudo ao emitir um parecer favorável à punção venosa e mensuração da pressão arterial no mesmo braço em que ocorreu a cirurgia de mama com ou sem esvaziamento de linfonodos. Dessa forma, a proibição taxativa de utilizar o membro ipsilateral em que ocorreu a cirurgia de mama por parte das diretrizes internacionais parece não apresentar evidências suficientes.

Assim, a preferência do membro contralateral para realizações de procedimentos como punção venosa e verificação de pressão arterial contínua, entretanto, caso haja algum fator complicador para tal, a utilização do membro do mesmo lado em que ocorreu o esvaziamento de linfonodos, está indicada.


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