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  • Foto do escritorCarolina Martins Vieira

Residência médica e a formação do médico oncologista

Em três anos de residência na área, grade curricular inclui estágios nos diversos campos de atuação da especialidade


A oncologia clínica é a especialidade médica que se dedica ao tratamento clínico de tumores malignos sólidos em adultos. A residência médica em oncologia clínica dura três anos e tem como pré-requisito dois anos completos de residência em clínica médica. A grade curricular inclui estágios nos diversos campos de atuação da especialidade. Para falar um pouco a respeito, convido a médica Thaís Almeida, atualmente cursando seu último ano da residência em oncologia clínica no Hospital das Clínicas da UFMG.


O que motivou a sua escolha por esta especialidade?


Eu fiz residência em clínica médica em um hospital em que o volume de pacientes onco-hematológicos era muito alto. Por isso, meu contato com a oncologia e com o paciente oncológico, desde o início da residência de clínica, foi muito intenso. Eu tive direito a dois meses de estágio em disciplina optativa durante a clínica médica, e escolhi um mês em hematologia e um mês em oncologia. Quando eu acompanhei o serviço de oncologia, tive a certeza de que era isso que eu gostaria de fazer pelo resto da minha vida, pois me deparei com o raciocínio clínico do qual eu gostava de fazer, com os pacientes com os quais eu gostava de lidar, além de ser uma área de constantes mudanças em decorrência das múltiplas pesquisas.


Quais os principais desafios que você destaca para este tipo de residência médica?


A residência em oncologia clínica é desafiadora em vários aspectos, a começar pelo fato de ter três anos de duração (um ano a mais do que a maioria das subespecialidades). Existe um conteúdo teórico muito extenso e que se modifica com facilidade em curto período de tempo, pois a pesquisa clínica em oncologia é muito fortalecida, gerando, muitas vezes, mudança de conduta clínica. Por isso, é muito importante que o oncologista esteja sempre atualizado e em contato com o meio científico de alguma forma.


Porém, se eu tivesse que destacar apenas um desafio da residência, eu mencionaria o controle da parte emocional. O residente em oncologia tem que saber que sua relação com seus pacientes será diferente da relação que ele tinha com seus pacientes da clínica médica. Na oncologia, essa relação é mais intensa, porque a frequência das consultas ambulatoriais é maior, além do fato de que esse paciente geralmente é mais frágil, mais carente de cuidados, pelo próprio estigma do câncer. Então, o residente em oncologia precisa saber lidar com a morte de pacientes queridos, o que nem sempre é fácil.


Quais os maiores aprendizados que você adquiriu nesta etapa da sua formação?


Talvez essa tenha sido a etapa em que eu mais cresci pessoalmente e profissionalmente. É claro que estudar em livros, artigos, plataformas digitais contribuiu muito para o meu crescimento, mas o trabalho diário com os pacientes e o aprendizado que tiro de cada relação ajudaram a construir parte de quem eu sou hoje. Profissionalmente, fui me moldando e me espelhando também nos preceptores e profissionais que acompanhei e que admiro para construir meu jeito próprio. Saio da residência muito mais amadurecida em vários aspectos da vida. Acho que um aprendizado importante de mencionar aqui é que, nesta residência, eu aprendi o jeito de pensar, o caminho que eu tenho que percorrer em cada caso. Ninguém sairá de uma residência sabendo todas as coisas, mas precisa saber pensar, saber fazer o raciocínio, ir atrás das informações necessárias, fazer as perguntas pertinentes, interpretar corretamente os dados de um estudo. Só assim aumentará suas chances de chegar às respostas que procura.


Tem alguma dúvida ou gostaria de sugerir um tema? Escreva pra mim: carolinavieiraoncologista@gmail.com

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