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  • Foto do escritorCarolina Martins Vieira

O uso adequado de vitamina D em tempos de pandemia

Com o novo coronavírus, suplementação de vitamina D chama a atenção de pacientes oncológicos e mesmo quem não tem problemas de saúde. Mas nem todos podem usar


A suplementação de vitaminas, em especial de vitamina D, é alvo constante de dúvidas por parte dos pacientes oncológicos. Além disto, até pessoas sem outros problemas de saúde estão dando mais atenção para este tema durante a pandemia de COVID-19.


Para esclarecer alguns pontos a respeito, convidei esta semana a Dra. Laís Brasil, médica credenciada à Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

O que é a Vitamina D e para que serve? A vitamina D é um tipo de hormônio cuja principal fonte de produção é pela nossa pele, a partir da exposição solar aos raios ultravioletas ou pode ser adquirida pela dieta (em menor quantidade) através dos óleos dos peixes: salmão e bacalhau.

Sua forma ativa no corpo é importante para o transporte e metabolização de cálcio e fósforo que participam da mineralização adequada do osso. Sua deficiência grave causa raquitismo e osteomalácia, doenças osteometabólicas.


Mas, quando a deficiência é subclínica (não tem sintomas claros) está mais associada à osteoporose, com aumento do risco de quedas e fraturas, que se tornam mais graves em idosos. 


Quais são os valores ótimos de Vitamina D?

Os especialistas nesse assunto concordam que níveis inferiores a 12ng/mL são deficientes e prejudiciais para a saúde esquelética. Níveis entre 12 e 20ng/mL são insuficientes e precisam de reposição, individualizando cada caso. Níveis entre 20 e 30ng/mL são ditos suficientes para a grande maioria da população sem doenças ósseas relacionadas. E o risco de toxicidade pelo excesso de vitamina D ocorre por níveis acima de 100ng/mL.


Sabe-se que altas doses de vitamina D são prejudiciais ao esqueleto e pioram a mineralização óssea, aumentando o risco de quedas e fraturas. Além disso, quando em excesso, a Vitamina D não é eliminada pelo corpo, gerando um aumento de cálcio e suas consequências clínicas, como crises convulsivas, insuficiência renal, cálculo renal, arritmias cardíacas e até a morte. 


Quem deve repor Vitamina D?

Quem tem deficiência de vitamina D com osteoporose, é gestante ou está amamentando, e tem história familiar de osteoporose tem a recomendação de reposição de vitamina D para manter níveis próximos e acima de 30ng/mL. Para o restante das pessoas, recomenda-se manter níveis próximos e acima de 20ng/mL.


Evidências clínicas tem a Vitamina D como droga complementar para o tratamento da osteoporose, com benefícios na redução do número de fraturas e melhora da qualidade de vida.


Vitamina D previne ou trata algum câncer?

A reposição de vitamina D também tem sido estudada com possíveis efeitos antitumorais a partir da observação de maior incidência de alguns cânceres (próstata, mama e colo) com o grau de deficiência dessa vitamina, mas ainda não há evidências de sua real aplicação clínica e não tem sido utilizada para esse fim.


E a Vitamina D e a pandemia da COVID-19?

A preocupação que a COVID-19 gera devido às consequências mais graves em alguns grupos de riscos pode levar as pessoas a adotarem medidas equivocadas e sem a devida orientação médica.


Muitas vezes, tais informações são disseminadas pelas redes sociais ou por pessoas não habilitadas, gerando malefícios à saúde. É possível encontrar níveis um pouco mais baixos de Vitamina D em pacientes com formas graves da COVID-19, já que a maioria deles tem comorbidades (por exemplo, doenças cardiovasculares, obesidade e diabetes).


Mas essas doenças são primariamente associadas à deficiência de vitamina D, independentemente do coronavírus. Nenhum estudo clínico randomizado conseguiu demonstrar qualquer benefício do uso de vitamina D para prevenção ou tratamento da COVID-19.


Portanto, a SBEM recomenda a população contra o uso de altas doses de Vitamina D como estratégia de otimização de imunidade frente ao novo coronavírus. Dessa forma, a reposição de Vitamina D só deve ser feita quando existe a real necessidade para o tratamento de osteoporose, raquitismo e osteomalácia, ou quando há deficiência; e devendo seus níveis serem acompanhados sob a orientação médica.


 

Tem alguma dúvida ou gostaria de sugerir um tema?

Escreva pra mim:carolinavieiraoncologista@gmail.com 

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